Havia se cagar de medo. Todos os dias.
Pra mim, pelo menos. Porque havia gente que não podia se dar o direito de abaixar a cabeça para o medo. O medo foi um privilégio na pandemia do Covid 19. Enquanto eu e muita gente tremia no isolamento, enclausurado em brigas de uma convivência mais do que desgastada de corpos que se viam trancafiados, havia gente na linha de frente. Falo aqui das pessoas da saúde, que viram a sua própria saúde se esvair enquanto batalhavam para salvar vidas em plantões infindáveis. Parte dessa gente, aliás, morreu. Vocês lembram disso?
Falo também de quem não teve o direito de ficar em casa sem trabalhar. Gente que virou sardinha em ônibus mesmo quando um vírus mortal ceifava vidas sem ainda uma solução confiável da ciência, por mais que uma gente ruim, negacionista dissesse o contrário. Vocês lembram disso?
E lembram que essa gente ruim tem nome? Weintraub, Pazuello, Dra Nise Yamaguchi, Osmar Terra, Pedro Batista Jr. da Prevent Senior entre muitos outros...
como Jair Messias Bolsonaro e sua família, incluindo Flavio Bolsonaro, que agora concorre à presidência.
Bom, eu lembro.
Eu completei 21 anos enfurnada sob 4 paredes sem perspectiva de futuro num momento em que tinha acabado de entrar na faculdade e descobrir um tesão na vida que não sabia ser possivel ter. Sem perspectiva de ver de novo amigues que tinha acabado de conhecer, amores que estava só começando a viver, preocupada com a saúde mental da minha família.
Dia 25 é 13 nas urnas. Porque eu vi gente da saúde morrendo. Vi trabalhador ser deixado pra morrer. Vi o genocídio de uma Manaus sem oxigênio. E vi deboche diante de tudo isso. Desinformação. Presenciei - vivi! - um projeto de morte como nunca achei que veria, na escala em que foi.
E eu não quero nunca mais que esse pesadelo se torne realidade.
E pra quem ainda não viu, fica a recomendação:










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