BOTE SUA PAMPERS E REVEJA O CLÁSSICO
A versão 100% oficial desse clássico das creepypastas.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
UMA SÉRIE DE ASSASSINATOS VEM ACONTECENDO NUMA CERTA CIDADE. UM JORNAL LOCAL TEM A SEGUINTE MANCHETE:
Depois de semanas de assassinatos sem explicação, o paradeiro e a imagem do sinistro assassino seguem desconhecidos. Apesar das poucas evidências, entrevistamos um menino que diz ter sobrevivido a um dos ataques:
GAROTO: Eu tive um pesadelo e acordei no meio da noite. Vi que por algum motivo a janela estava aberta, mesmo que eu lembre de tê-la fechado. Levantei e fechei mais uma vez. Fui para debaixo das cobertas e aí senti a sensação de estar sendo observado. Olhei para cima e quase pulei da cama. Tinha um par de olhos me encarando. Não olhos normais, eram escuros, profundos... tinha um sorriso sem dentes, psicótico, e um rosto muito, muito pálido. Então eu percebi e falei:
"Que susto, vó! A senhora exagerou no pó de arroz de novo..."
"Shhh bá bomi!", disse ela sem dentadura
E aí eu fui dormir mermo.
REPÓRTER: Mas e o assassino?
GAROTO: Que assassino? Oi mãe, tô na TV! Faz macarrão hoje no jantar...
REPÓRTER: Corta, Cristian, corta!
GAROTO: ... com salsicha!
............
Jefferson e seu irmão Liu Kang acabaram de se mudar com a família, graças a uma promoção do pai no emprego - enganou pouca gente na Hinode, graças a Deus! Não era Leblon, mas também não era Pavuna, a casa seria maior, muito propícia para as crianças brincarem de Ritual da Meia Noite. Enquanto desempacotavam as coisas, uma vizinha chamada Barbara veio dar as boas-vindas. Ela apresentou o filho, Billy, ao que a mãe de Jefferson se apresentou "Oi, sou Margaret" e apresentou a família:
"Meu marido, Peter, meu filho Liu Kang HUYA! da Silva e aquele é o Jefferson, mas você pode chamar de Jeff The Killer... digo, isso é mais pra frente na história."
"Como?"
"E, desculpa, vai ser na tua casa..."
"Não entendi..."
Peter abraçou a esposa e mandou ela seguir o script. Barbara convidou-os para a festa de Billy daqui uns dias. Os meninos iam recusar, mas a mãe aceitou. Pois é, foda ter 13 anos.
Jefferson reclamou um bocado com a mãe, que ele já era velho o suficiente, já estava viciado em reels do Tik Tok incapaz de ver um filme ou ler um livro, desamparado num mercado de trabalho cada vez mais estrangulado, sem perspectiva de aposentadoria e num capitalismo tardio dominado pelas Big Techs, só que é realmente foda ter 13 anos, vai ter que ir sim na festinha do Billy, tema six-seven. E foi aí que Jeffinho sentiu a primeira pontada estranha.
No dia seguinte, Jeffetildo desceu para tomar o café da manhã, ainda com aquela pontada. E pontada assim a gente sabe que é complicado: ou é apendicite ou é psicopatia, não tem meio termo. Margaret, tal qual Rochelle de Todo Mundo Odeia O Chris, deu um xaropinho e mandou os meninos irem estudar. Lá no ponto de ônibus, sentaram e estavam namoralzis até que um skate voou sobre suas cabeças.
"Ora ora, se não temos carne fresca no pedaço", disse o meliante de 12 anos, dono do skate. O menino vestia uma camisa do Burzum... e logo chegaram seus amigos, também em skates. "Eu sou o Charlie, aquele é o Brown e esse é o Junior". Tudo marrentinho. "É o seguinte, aqui a gente tem um programa bem legal, chamado Policia Presente Kids. Aí vocês tem que dar um arrego pra gente, sacomé...". Liu Kang já ia pegar uma foto do Vampeta pelado, quando Junior tirou uma AK47 do bolso (a infância é vivida com muita intensidade em Chic Chic, Estados Unidos). Brown pegou a carteira de Liu Kang, que de Mortal só tinha a cara de cu; Burzum de 12 anos ficou lá cheio de marra e é agora que você descobre que quem escreveu essa história foi um otaku com vontade de levar uma mordida do Orochimaru e ficar muito malvado: Jeff, indignado e com aquela pontada de antes ainda mais forte, dispara uma kunai na AK47, que faz Junior cair dando rajadão pro alto, depois ele dá uma pirueta tripla e um chute biônico no cucuruto de Charlie; Brown vem para cima, Jeff faz os sinais de mão e grita "CHIDORI", e já era pro betinha. Liu Kang fica passada, chocada e eles vão para a escola. Viva a América.
Na escola, Jeff fica no celular para distrair a cabeça. Em algum momento ele conhece Jane: ele mataria por ela, ela morreria por ele, e assim nasceu Jeff The Cringe. Mas aí é outro episódio, de outro seriado. Seguindo aqui.
O dia tava meio baixo astral e nem tinha a Xuxa para lutar contra, então só ficou essa torta de climão mesmo. Na mesa de jantar, mais tarde, Jeff estava esquisito. Margaret perguntou como foi o primeiro dia e Kang Boy nem conseguiu responder direito. Já Jeff disse com voz e cara psicótica que foi "um dia ótimo". "Tá bom Sasuke Zoldyck da Silva", respondeu a mãe. "E você amor, enganou quantos na Hinode? Digo, vendeu quanto..."
![]() |
| Imagem meramente ilustrativa de Jeff comendo geleia de amora |
TOC TOC
A policia federal bate na casa de Jefferson, liderada por um careca de capa preta. "Senhora sou Alexandre de Moraes e seu filho fez coisa errada". Jefferson já vem com a lágrima nozói "Desculpe senhor, eu não queria esfaquear eles...". O careca nada entende.
"Esfaquear? Não, não... colegas de classe alegaram ter visto você jogando no Tigrinho. Aqui é a América, não pode jogar no little tiger. Você está preso. Jail! Now!". Para que Jefferson não tome no cu, seu irmão desce voando a escada e dá uma bela bofetada na cabeça de Moraes. "Meu sonho agredir uma careca brilhante dessas!". Moraes, então, dá a ordem:
"Prendam essa criança infeliz!"
"Não Liu, por que você fez isso!!!!", gritou Jeff e de repente voltei a escrever no pretérito.
A vida perdeu completamente o sentido. Costuma acontecer quando você se muda e já no segundo dia faz merda e teu irmão é preso. Homens dirão que foi a ira de um jovem gentil. Mas, tudo bem, ele ainda tem uma festa de arromba para ir.
Para a surpresa de Jeff, é bom ser criança, ser livre, brincar, imaginar, ter tempo, admirar a natureza e aproveitar o seu corpo como se ele fosse seu e não de um sistema que usurpa sua autonomia e poder... Enfim, Jeffernilson aproveitava um lapso de felicidade com as little kids até que Os Bofinhos Malvados de antes chegaram na pista. Fizeram um corpse paint muito original e satânico na cara e prometiam sacrificar virgens para invocar o Todo Poderoso para acabar com Jeff. Mas aí Jeff socou um na cara e ele começou a chorar. Os outros dois sacaram armas (e aqui eu não to nem brincando, isso realmente acontece na história original), que eles provavelmente compraram na padaria do seu Johnson, do outro lado da rua. Tudo normar em Chic Chic.
Tiro, porrada, bomba. Confusão generalizada na casa da Bárbara, criança de colo correndo, idoso chorando, alguém ligou "Lobo de Wall Street" na TV da sala e Leonardo Di Cáprio cheirava pó no cu de uma prostituta. Os jovens, por sua vez, caíam na porrada. No meio da briga, Jeff caiu de cara na camisa do Burzum de Charlie. "Eca, nazista", Jeff botou fogo na própria cara e adiantou o roteiro. Mas aí Charlie apagou o fogo com uma toalha.
Mentira, bora pra próxima parte.
Depois de inúmeros ponta-pés, socos e até mesmo tiros à queima-roupa, Jeff estava vivo. Outros não teriam sobrevivido, diria a atriz Emília Perez da Silva. Havia um porém: ele estava com a cabeça enfaixada.
Viu a mãe chegar e perguntar se estava bem.
"Essa filha da puta não tá vendo que eu não consigo falar?", pensou Jeff
"Isso é modo de falar comigo?"
"Mãe?! Que?!"
"Eu posso ler pensamentos, não sabia?"
"..."
"É brincadeira, sou apenas a narradora. Nana Leonidas, prazer."
"Prazer... eu acho..."
Jeff ficou ali um tempo se recuperando da sua harmonização facial, ganhando abraços, palavras de carinho, jogou um Pokemon Ruby pela quinquagésima vez, leu sobre o projeto Leitinho Feliz de Anthony Garotinho... e enfim chegou o dia de tirar a faixa. Desenrola 1, desenrola 2, 3, 4... na milésima desenrolada Jeff estava pronto para o mundo novamente. Todo mundo ficou? Passada, chocada.
"O que? O que houve com meu rosto?"
"Irmão, parece que um carro te atropelou, te jogou do barranco, tu esfolou a cara nas pedras, foi parar numa caverna com criaturas humanoides e algumas lésbicas exploradoras de caverna e as criaturas cuspiram ácido na tua cara e as lésbicas te encheram de golpe de foice, aí te devolveram pra superfície e o carro passou de novo por cima da tua cara e..."
"Ok, Liu Kang, o seu irmão já entendeu..."
Nada disso parecia afetar Jeff, no entanto. Ele se admirava na frente do espelho como quem ganha uma maquiagem drag na cara pela primeira vez e se fascina com uma beleza extra humana. Curiosamente, ele estava feio de doer. O Felca com a maquiagem da Vírginia assustou menos crianças. Jeff ria como um louco.
"Doutor, isso é normal?", perguntou Margaret.
"Sim, o Zack Efron e o Eliezer do BBB ficaram assim quando viram o queixinho harmonizado."
Naquela noite, em casa, Margaret acordou com um som de uma música vinda do banheiro. Foi devagar até o cômodo. Um som bizarro ia se juntando à música, que ficava cada vez mais nítida. Era "Jack Tequila", do Skank, tocando junto da voz de Jeff:
"Meu nome é Jeff, Jeff ô ô... THE KILLER!"
Margaret entendeu que Jeff esculpia com uma faca um sorriso diabólico no rosto, mas graças a Deus não estava ouvindo Capital Inicial ou Jota Quest - ainda havia uma chance de recuperá-lo. Olhando-o no espelho, ela notou que ele havia cortado ao redor dos olhos.
"Meu filho... que porra é essa..."
"Mãe, eu não queria mais parar de ver reels do curso de drift do Fiuk no Tiktok, então abri meus óleos para sempre HAHAHHAHHAHA"
"Beleza. E essa playlist aí, tem mais o que?"
Eis que começa uma nova música e Jeff canta junto
"Naquele horror, a sua olheeeiraaaa; cortando minha boca, a noite inteeeeiraaaa"
"Que lindo, filho, vou chamar papai pra ver".
Margaret, horrorizada, vai até a porta de seu quarto:
"Amor, vamo ter que sacrificar"
Para sua surpresa, Djeff Dequila já estava atrás dela e vrau passou a faca nela e uiui ela morreu aaaai cabousse.
O pai é tão importante que vai morrer off screen. Vamo pro irmão.
O bichin acordou, escutou um AHHHH SOCORRO ARGH AH e pensou "deve ser a chuva", e voltou a dormir. Acordou novamente e, ao abrir os olhos, viu um set de mixagem na porta do quarto. Seu irmão entrou pela porta, botou o fone e deu start no beat.
"DJ F Dequila" tuts tuts tuts
E assim Liu Kang morreu ao som de I´M UNSTOPPABLE e a última memória que se alojou em seu cérebro era Jeff dizendo
SHHHHHH VÁ DORMIR (10H REMIX)
QUE SEUS PESADELOS SE TORNEM REAIS











































